29 Outubro 2008

Poema pra Um

Um
Dia volto, envolta de desejos nossos
Unindo a minha com o teu
Um-idade no tempo encravada
Um-a parte de mim tudo
Um-à parte de mim nada


29 Agosto 2008

Falling Slowy



"(...) You have suffered enough and warred with yourself
It's time that you won(...)"

Falling slowly*
(by Glen Hansard/Marketa Irglova)
Interpretado no vídeo por The Frames.


*Música vencedora do Oscar 2008 de melhor trilha original, faz parte do filme "Once".

P.s.: Tu vai gostar tanto desse filme, porque ele é do jeitinho que tu gosta! *.*

25 Maio 2008

Vento Bom

Um vento bom eu descobri
E agora é hora de viver!
Cê vai sacar, quando virar,
Que tudo encontra o seu lugar.

Um certo amor a deslizar
Nas entrelinhas pelo ar
Vai susurrar, quando chegar,
Agora é hora de viver!

Quero te ver dançar
Dançar tão leve, flutuar.
Eu quero só sentir
Que o clima agora vai se abir.


*para ouvir a música e saber mais clique nos links acima.

14 Maio 2008

Gosto da idéia de te ver chegar
Sentir teu corpo contra o meu
Ficar junto, falar tua língua
Gritar pro mundo que o amor valeu...

Would you be my baby?
Ah,eu queria...
Tudo com você.



11 Maio 2008

A saudade

“Em alguma outra vida, devemos ter feito algo de muito grave para sentirmos tanta saudade."


Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que morreu, do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade.

Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida.

Você podia ficar na sala e ela no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o dentista e ela para a faculdade, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-la, ela o dia sem vê-lo, mas sabiam-se amanhã. Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é basicamente não saber. Não saber mais se ela continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia. Não saber se ela ainda usa aquela saia. Não saber se ele foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ela tem comido bem por causa daquela mania de estar sempre ocupada, se ele tem assistido as aulas de inglês, se aprendeu a entrar na Internet e encontrar a página do Diário Oficial, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Malzebier, se ela continua preferindo suco, se ele continua sorrindo com aqueles olhinhos apertados, se ela continua dançando daquele jeitinho enlouquecedor, se ele continua cantando tão bem, se ela continua detestando o McDonald's, se ele continua amando, se ela continua a chorar até nas comédias.

Saudade é não saber mesmo! Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é não querer saber se ela está com outro, e ao mesmo tempo querer. É não saber se ele está feliz, e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso... É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.

Saudade é isso que senti enquanto estive escrevendo o que você, provavelmente, está sentindo agora depois que acabou de ler...

Saudade, por Miguel Falabella.

27 Abril 2008

Os desenhos dela

Depois de um dia daqueles, a gente só quer chegar em casa e encontrar o travesseiro com fronhas cheirando a sabão em pó, sobre a cama quentinha que já tem o formato do nosso próprio corpo. Era isso que ela queria quando chegou às 4 horas da manhã de uma noite dos demônios.

Que merda! Acreditou, mais uma vez em todo aquele texto ensaiado. Acreditou que seria a única, a ultima e a amada. Acreditou que teria alguém a esperando com jantar, que abririam a porta do carro para ela, que receberia um abraço e um beijo de boa noite, que ouviria um “você está linda” assim que acordasse de um sono bom. Acreditou, como se fosse a primeira vez, naquelas palavras vindas daquela mesma boca que ela tão bem conhecia. E mesmo acreditando, ainda fingiu não acreditar, para não parecer volúvel, absurdo e assustador demais o desejo que a possuía.

Maldita seja aquela esperança. Matou toda aquela que era vã, junto de todas as lembranças. Matou sem dó nem piedade, no instante em que viu a personificação das suas palavras de amor, escoar como o suor no meio da pista de dança. Quisera não ter olhos para ver aquela cena em meio as luzes coloridas; não ter coração para não senti-lo acelerar na hora; nem paladar para não sentir aquele gosto amargo na boca. Quisera sentir nada, aliás, indiferença. Pobre daquele que atravessou o caminho dela no momento. Foi o escolhido naquela noite para ser seu par, e carregar a responsabilidade desconhecida de fazê-la esquecer aquela dor que assolava seu peito.Não via a hora de largar toda aquela palhaçada e voltar para o aconchego do lar.

Só de tardezinha deitou a cabeça no travesseiro. Não vinha sono, a cena da decepção se repetia um milhão de vezes na sua cabeça. Ouvindo o coração batendo travado por ninguém mais, sentindo um bolo de palavras entaladas no meio da garganta. Como uma onda quebrando em cima de uma grande rocha, se desfazendo no mar; como uma piada que não teve graça; como um vento que passou; como uma efemeridade; como nada mais.

Foi ao espelho, tirou-o da parede, pôs em cima cama. Colocou uma música que a fizesse chorar até os olhos incharem. E expulsou de si aquela chaga. Quando viu que estava tudo pronto, foi no armário, pegou sua prancheta, muitas folhas de papel jornal seu carvão e vendo-se deformada pelo choro no espelho desenhou seu próprio rosto. Em vários ângulos. De varias formas. Várias vezes.

Deitou sobre os desenhos, suja de carvão e lagrimas. Cochilou um pouco, esqueceu tudo durante o cochilo. Quando acordou, colou na parede verde do quarto aqueles desenhos, para que ela nunca mais possa repetir em sua face aquela cara de palhaça que foi desenhada num papel vagabundo.

23 Abril 2008

Dá e passa o que se despe, se despede e despedaça.